16.6.13

Simples e inesquecíveis




"As have no slight or trivial influence
On that best portion of a good man's life,
His little, nameless, unremembered, acts
Of kindness and of love."
 -  William Wordsworth (1798)


Sabe quando ouvimos palavras ao vento, que mudaram nossa vida de forma inesperada, ou ainda dizemos coisas que tocam pessoas sem nos darmos conta... 

15.7.12

Tampere

Hoje passei o dia pensando na cidade finlandesa que morei em 2007.
Pensei na casa na Keskisenkatu 6, no dia que chegamos (colegas e eu) depois de ter passado a noite de 1 de janeiro de 2007 no aeroporto de Stansted em Londres, e na roadtrip maluca que fizemos entre 9 romenos e 1 brasileira até a casa do Papai Noel. Acabei por escrever pra Zsuzsa, a romena da Transilvânia que morava comigo.
Pensei também no melhor banho que já tomei na vida: depois da exaustão da mudança de países naquele fim de ano (Noruega - Espanha - Inglaterra- Finlândia), chegar numa casa de estudante imunda às 3 da tarde, digo, noite (!), e trocar de casa correndo antes do escritório fechar às 5, pra poder descansar depois de estar acordada e viajando por 40h.
E pra fechar o dia, escutei uma das músicas que usei pra fazer 'fisioterapia' no meu pé direito - que torci num barco a caminho da Suécia!
Tampere foi muito legal. Teve -34 graus, teve ski, teve munki na torre, comida sem gosto de nada que custava 'kaksi euroa kolme toista viisi' (€2,35), sauna, muito choque, muletas, banho em lago congelado, fomos esquecidas dentro de um trem, vi a aurora boreal, teve muita noite e muito dia, o caldeirão de bico na casa do Papai Noel, tequila (ops!), muita risada e comilança com amigos, e claro, a minha turma de mestrado! Woohoooo!!
Preciso voltar lá um dia!!! :)

31.3.12

Perdida em São Paulo.

Cidade grande, minha gente!
Aos poucos descobrindo e apreciando a loucura diária dessa imensidão de concreto e carros.

Visitas são bemvindas. (acho que essa é a nova regra ortográfica, tudo junto).


(Alguns meses sem publicar e mal consigo entender esses menus novos do Blogspot. WTF?)

3.1.12

La gente que me gusta (de Mario Benedetti)

Me gusta la gente que vibra, que no hay que empujarla, que no hay que decirle que haga las cosas, sino que sabe lo que hay que hacer y que lo hace. La gente que cultiva sus sueños hasta que esos sueños se apoderan de su propia realidad.

Me gusta la gente con capacidad para asumir las consecuencias de sus acciones, la gente que arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño, quien se permite huir de los consejos sensatos dejando las soluciones en manos de nuestro padre Dios.

Me gusta la gente que es justa con su gente y consigo misma, la gente que agradece el nuevo día, las cosas buenas que existen en su vida, que vive cada hora con buen ánimo dando lo mejor de sí, agradecido de estar vivo, de poder regalar sonrisas, de ofrecer sus manos y ayudar generosamente sin esperar nada a cambio.

Me gusta la gente capaz de criticarme constructivamente y de frente, pero sin lastimarme ni herirme. La gente que tiene tacto.

Me gusta la gente que posee sentido de la justicia.

A estos los llamo mis amigos.

Me gusta la gente que sabe la importancia de la alegría y la predica. La gente que mediante bromas nos enseña a concebir la vida con humor. La gente que nunca deja de ser aniñada.

Me gusta la gente que con su energía, contagia.

Me gusta la gente sincera y franca, capaz de oponerse con argumentos razonables a las decisiones de cualquiera.

Me gusta la gente fiel y persistente, que no desfallece cuando de alcanzar objetivos e ideas se trata.

Me gusta la gente de criterio, la que no se avergüenza en reconocer que se equivocó o que no sabe algo. La gente que, al aceptar sus errores, se esfuerza genuinamente por no volver a cometerlos.

La gente que lucha contra adversidades.

Me gusta la gente que busca soluciones.

Me gusta la gente que piensa y medita internamente. La gente que valora a sus semejantes no por un estereotipo social ni cómo lucen. La gente que no juzga ni deja que otros juzguen.

Me gusta la gente que tiene personalidad.

Me gusta la gente capaz de entender que el mayor error del ser humano, es intentar sacarse de la cabeza aquello que no sale del corazón.

La sensibilidad, el coraje, la solidaridad, la bondad, el respeto, la tranquilidad, los valores, la alegría, la humildad, la fe, la felicidad, el tacto, la confianza, la esperanza, el agradecimiento, la sabiduría, los sueños, el arrepentimiento y el amor para los demás y propio son cosas fundamentales para llamarse GENTE.

Con gente como ésa, me comprometo para lo que sea por el resto de mi vida, ya que por tenerlos junto a mí, me doy por bien retribuido.

(** Mil gracias a mi amiga tan linda que me ha enviado ese regalo.
Feliz año nuevo, Directora!! No olvides de portarte mal en 2012!)

25.12.11

O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Mario Quintana

20.9.11

Já faz um ano, Big Ben.


Há um ano atrás fui à Inglaterra visitar alguns amigos que são parte da minha vida. Eles me acolheram e ensinaram muito, e continuamos nos acompanhando apesar da distância e das (minhas) mudanças. Acima de tudo, eles fazem parte de diferentes "vidas paralelas" que a gente vai colecionando pelo caminho.

>> Mas, e por quê vidas paralelas? Bem, quem já mudou de cidade, estado, país ou continente (como eu!) sabe que a gente faz coisas diferentes em cada lugar, e conhece pessoas diferentes. Não é possível deixar de ser a gente mesmo, ou não deveria ser possível, mas a gente se adapta de acordo com as condições que esses novos lugares nos oferecem. Um exemplo disso pode ser o padrão da alimentação: pode-se comer da sua própria horta (Floripa), comer ovo, champinhon e salsicha de café da manhã (e adorar!) (Inglaterra), pedir comida pelo telefone pra não sair na rua (Santo Domingo), ser vegetariana (Oslo e Tampere), comer kebab semanalmente (Alicante), ou ir a restaurantes muito bons 2x na semana (Aveiro), ou ainda, morar em um lugar onde não há restaurante pra ir (Cruz Alta City). A cada "vida", fazemos o melhor para nos adaptar, e acabamos por ter pessoas muito especiais que ajudam a caracterizar esse período e lugar. E com sorte talvez nos reencontramos a cada 5 ou 3 anos, ou talvez nunca mais - tanto o lugar como as pessoas.

Retomando sobre o encontro de um ano atrás. Faltava alguns dias para deixar a Espanha, por isso fui me despedir de algumas coisas e pessoas que estavam na Inglaterra. Na verdade, ainda estão lá. No outro fim de semana partiria para Santo Domingo. Então, decidi fazer algo especial, porque de alguma forma sentia que poderia demorar pra voltar à Europa. Fui ao West End, a "Broadway" de Londres, pra assistir a uma peça de teatro. Foi legal, mas estou convencida de que talvez me divertiria mais em uma partida de futebol. Mas tudo bem. Foi pra lista: "Teatro caro com atores reconhecidos mundialmente: check". Com sorte o tempo tava bom, e pude aproveitar pra caminhar um pouquinho por Covent Garden, olhar as lojinhas. E claro, fui me despedir do Big Ben, ver se ele tinha algo novo pra contar que não fossem os minutos.

De Londres, saí cedinho no outro dia pra tomar cafe da manhã com uma amiga boliviana (y tan bella!) no mercado público de Oxford. Eu a admiro muito e sempre que nos visitamos falamos sem parar! Era o nosso encontro anual. Ou melhor, bi-anual, porque infelizmente esse ano não sei se vamos nos ver. Foram 2h30min para comer, colocar toda a fofoca em dia, e rir muito!

Mais tarde subi um pouquinho mais pro norte, em Yorkshire, para visitar alguns amigos-meio-família. Ah e a comilança!! A mestre-cuca preparou com muito carinho 2 sunday dinners in-crí-veis naquele fim de semana (yes, Mrs. Bathie your sunday dinners are the best ever!). Se fazer um dá uma trabalheira, imagina 2? Só faltou ir a Sheffield, mas não deu tempo. Uma pena!

A simplicidade de tudo, a familiaridade de estar na Inglaterra, mais a companhia de gente tão querida fez da última visita à terra da rainha algo espetacular. Daqueles momentos que te permitem entender porque o mundo (ainda) faz sentido.

Mas... e porque diabos paro agora pra pensar nisso? Parece que foi ontem. Mas o tempo passa, e esse ano foi meio (muito) doido. E, mais importantemente, paro e penso pelo simples motivo de estar procrastinando. Tenho que estudar. Há 6 livros e três "meios" me esperando para que eu os leia para a seleção do doutorado. *suspiro*

9.7.11

Cuidado.

Estou aprendendo a dirigir. Meu carro pode chegar até você.
Pare. Olhe. Escute.

Logo vou fazer 18 anos. Meh.

Atualização: setembro de 2011.... 1a tentativa da prova prática: FAIL! :P aparentemente estacionei muito longe. ops!

27.5.11

Primeira ligação ao chegar no RS. Ops.

8:35 da manhã, no carro na estrada de Porto Alegre pra Cruz Alta.
Ligo pro meu irmão pra incomodar (por que é pra isso que servem os irmãos mais novos!), do telefone da minha mãe, que tem o número gravado.
Assim que atende, uma saudação à la Xuxa, pra animar a manhã fria:
- "Bom dia amiguinhos já estou aqui". E daí, negão, já cheguei! Tá com saudade de mim?
- Erm... Com quem quer falar?
- Com o Fabinho, meu irmão (pensando: mas que piá podre, se fazendo!)
- Erm... quem? Aqui é de Porto Alegre.
(Silêncio... e sobe aquele frio na espinha. 2 segundos depois, me dou por conta e caio na gargalhada. O cara, do outro lado da linha, a essa hora já deve estar se perguntando como é que se cria essa gente idiota no mundo).
- Aaaaaiii meu Deus, eu não disquei o código! Me desculpa! Eu queria ligar pra Cruz Alta, e faltou o 055. Me perdoa. Foi mal. (Claro, liguei pro telefone do Fabinho, e caiu em POA, com o mesmo número mas com o 051 :D).

Desligo. No carro, meus pais choram de rir do fiasco. Tento enterrar minha cabeça no travesseiro e na montanha das malas de vergonha. Ligo pro meu irmão pra contar (dessa vez com o código certo, e ele atende. Ufa). O único comentário que ele faz: "bah, tá no sangue."

Mais tarde, em casa, na hora do almoço. Outra vez falamos da ligação e do fiasco. A mãe está chorando de rir. Daí ela faz uma cara de vergonha, e resolve confessar, limpando as lágrimas:
- Ali, quer ouvir uma coisa?
- O que houve, mãe?
- Eu já tinha ligado pra ele antes.
- * eu e o meu irmão, com caras de descrédito* - Como? Dai sim!
- Sim, eu liguei mais cedo, pra ver se o Fabio já tinha se levantado.
- E o que tu disse? (nessa hora já me doía a cara de tanto rir, e rolavam as lágrimas)
- "5 pras 8, cara, vamos levantar?". Quando ele falou "com quem tu quer falar?", daí eu desliguei rápido, assustada.

Bem, não preciso nem dizer que a essa hora já se ouvia as nossas risadas escandalosas do outro lado da rua, na outra esquina.

Meu irmão, indignado: "Como é que vocês duas conseguem fazer essas coisas? Eu devo ser adotado, pelamordedeus".

Ao dono do telefone, foi mal!!

25.5.11

De volta ao pago!

De volta ao Brasil hoje. Destino: Cruz Alta City.
Essas mudanças estão ficando cada vez mais difíceis, acho que tá na hora de se acomodar!

19.2.11

E a história se repete...

14/02/2011.
8:00: Parque olímpico, Ave. 27 de Febrero, Santo Domingo: torci o pé direito caminhando enquanto ia para o trabalho. Um ou dois palavrões. Segui adiante.
11:20: Universidade: sinto um pouco de dor, mas sigo adiante.
12:25: Restaurante. Não aguento mais a dor.
13:00: Hospital UCE - Sala de emergência. Em companhia de uma amiga querida, encarregada das risadas, e do registro fotografico.
14:00 - Injeção na bunda contra a dor. Nem eu esperava por essa.
14:15: Colocar gesso (de barriga bra baixo, uma inovação). Não tem fratura, por sorte!
14:45: Ver fotos. (Dramática a cadeira de rodas, né?)

15/02/2011.
Casa. Dor em todo o corpo pelo peso do gesso. E, segundo dizem as más línguas, pelo fato de que não parei quieta. Em minha defesa, eu voto contra. Democraticamente.
Ah! É o dia do meu aniversário também. Detalhe.

16/02/2011.
8:00: Clínica ortopédica errada.
8:40: Clínica ortopédica certa (acontece com as melhores famílias).
9:45: Chega a secretaria do doutor.
10:30: Consulta (com um doutor que estudou Medicina na Escola de Medicina de São Paulo).
11:00. Sem gesso, sob solicitação (e súplica) real. (*wooohooooo*!)

Bem, "O resto é silêncio". E licença médica. E cama. E gelo. E remédio. E fisio. E assistir Glee. E Sheldon. E Fringe. E Vampire Diaries. E fazer os temas da especialização. E outra cama na sala. E tédio. E a promessa de nunca mais morar no 4o andar. E preguiça. E uma (ok, duas) escapadas na rua (pra manter a sanidade mental).

Como diz o título do post, a história se repete, mas com menos impacto. E que pena que não tinha Estocolmo...

12.2.11

Poeta favorita: Elizabeth Browning

Faz alguns anos, enquanto ainda estava estudando na UFSM, às vezes ia Porto Alegre pra visitar um casal de amigos queridos (Nica e Marcelo, que agora já se multiplicaram em João e Antônio). Numa dessas visitas, descobri minha poeta favorita.

Como tudo aconteceu é um pouco complicado explicar:

1. A Nica e o Marcelo gostam de cachorros Cocker Spaniel, e têm dois cachorrinhos lindos e fofos: o Osama e a Belinha.

2. Eu adoro os livros da Virginia Woolf. Um dos livros dela se chama "Flush", que é o nome de um cachorro da raça Cocker Spaniel. Flush, o cachorro, narra a história do livro, que relata o romance dos seus donos, nada mais nada menos que os poetas ingleses Elizabeth Barrett e Robert Browning.

3. Encontrei o livro "Flush" na biblioteca da Nica, e comecei a ler... e acabei por terminar em dois dias. Amei a história. E fiquei com curiosidade de saber mais da vida dos dois poetas, e passei a buscar mais sobre suas obras quando voltei pra Santa Maria, depois da visita.

Resultado: Descobri minha poeta favorita, Elizabeth Barrett Browning, por culpa do Osaminha (!).

Elizabeth mantinha segredo sobre a relação entre ela e Browning. Ele era muito famoso, e ela tinha vergonha do que as pessoas iam dizer, já que ela era mais velha que ele 6 anos, e tinha muitos problemas de saúde (estava numa cadeira de rodas). Para disfarçar o relacionamento deles perante a sociedade inglesa, ela publicou muitos dos seus sonetos como se fossem traduzidos de outros idiomas, como o português. Browning gostava muito de Camões, e inclusive o apelido dele entre os dois era "o português". Por isso ele sugeriu que ela publicasse a coleção de sonetos como "Sonnets from the Portuguese".

Um deles, o Soneto 43, é o meu favorito:

"How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of being and ideal grace.

I love thee to the level of every day's
Most quiet need, by sun and candle-light.
I love thee freely, as men strive for right.
I love thee purely, as they turn from praise.

I love thee with the passion put to use
In my old griefs, and with my childhood's faith.
I love thee with a love I seemed to lose

With my lost saints. I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life; and, if God choose,
I shall but love thee better after death."

Tradução de Manuel Bandeira:

"Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh'alma alcança quando, transportada
Sente, alongando os olhos deste mundo
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
A luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte."

Acho que posso dizer que este Soneto 43, mais o Soneto da Fidelidade, de Vinicius de Moraes, e a Canção da Primavera, de Mario Quintana, são os meus três poemas favoritos!

Vale a pena dividir!

6.2.11

Poema: Adeus, de Eugénio de Andrade

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

(Um pouquinho de literatura portuguesa. Obrigada Sarinha!)

5.2.11

Presente de aniversario antecipado!

Sim senhores, é verdade: em um par de dias faremos 17 anos outra vez. Para o desespero da minha mãe e a descrença de um número considerável de pessoas (inclusive o Sr. Reitor, imaginem...), eu ainda não sei dirigir. Então fico nos 17.

Meus motivos não mudaram muito dos que comentei ano passado , só que agora se soma a eles o fato de que não sobra dim dim pra tirar a carteira.

Então, como não posso me dar um carro de presente, comprei algo muito mais legal: uma batedeira/liquidificador portátil, dessas fininhas, que podem fazer suco direto no copo, ou bater sopa com vegetais direto na panela (!). Sem contar que veio com picador de tempero e faca automática. Nem sei o que fazer com uma faca automática, mas isso eu descubro depois. Ah ainda é super portátil, eu posso levá-la na mala quando me mude de SD. Quando que se pode fazer isso com um carro? :D

Não falei que era MUITO mais legal?



4.2.11

Pequenos detalhes do lar!


"Where thou art, that is home" - Emily Dickinson












3.2.11

Dar aulas na universidade é legal. Red bull com suco de laranja é muito legal.

Fatos verídicos, acontecidos em Santo Domingo: aqui as pessoas trabalham muito. Muito mesmo. Segundo as leis trabalhistas dominicanas, 14 dias ao ano de férias são mais que suficiente para se descansar ( - P.S.: se tu passas 15 dias durante o ano novo no Brasil, não terá mais dias de férias até o final do ano - *gritos*). Outro fato, especial aos que vivem na capital: a grande maioria dos residentes de SD (de qualquer lado do rio por onde entrou Colombo há vários séculos atrás) se mandam na sexta pra fora da capital e só regressam domingo pela noite. A cidade é deserta, e até assustadora, com relação ao trânsito maluco, e a barulheira das ruas nos dias de semana.

Outro fato verídico (que não tem conexão com o anterior, me perdoem!): estou dando aulas na universidade. Mas o convite para dar aulas veio com um preço: fazer uma especialização em Docência Universitária. Nada de mal nisso, na verdade é uma oportunidade única, o que faz um pouquinho difícil é que o horário das aulas é tarde, das 6 as 10 da noite, 2x na semana. Mas não dá nada. A gente aguenta. Acorda um pouco mais cedo pra preparar aula, e fazer os temas da especialização, trabalha durante o dia, vai pra aula, volta pra casa, cozinha, enche a pança, lava o corpo e a roupa, e assiste The Vampire Diaries antes de desmaiar na cama. Aparte dessa rotina maluca, ter aula é legal, e fazia falta. Desperta o nerd que está dentro de você, aquele que fica gritando pra sair. J Mais legal ainda é descobrir que red bull e suco de laranja deixa você feliz. É muito legal. Mesmo. Tira o cansaço, cura sinusite, e até ajuda na criatividade de escrever no blog. Bah quisera ter descoberto essa combinação antes.

Amanhã, tudo outra vez. Ah! Vale a pela comentar: dar aula em portunhol é legal. Ainda mais quando eu não me escuto!

16.1.11

Jogado às traças!

Coitado desse blog, tá abandonado mesmo.
O que ando fazendo? Trabalhando. Várias horas, todos os dias. Nem à praia ainda não fui aqui na República Dominicana.
Isso tem que mudar, minha gente!!



28.9.10

País novo, vida nova: Santo Domingo.

Começa um novo capítulo na minha vida. Woohoo! Peraí. Pensando bem… “woohoo” o caral*o!! Estou acordada desde as 2 da manhã, com um jet leg FDP, com dor nas costas, 3kg mais gorda do estresse da mudança, e - pior de tudo - tive que deixar meu porquinho rosa (Jasper) em Alicante porque não coube em nenhuma das 3 malas. Digamos que apenas começou uma nova fase da vida, só isso. Sem celebrações no momento. Preciso de alguns dias.

Não tinha comentado no blog antes, mas um resumão dos meus últimos 2 meses seria: me ofereceram um emprego em uma universidade na República Dominicana; pedi demissão da Universidade de Alicante: vim a SD ver como era o emprego; aceitei a oferta. Tem muito mais drama no meio, coisas dignas de novela mexicana de 5ª categoria, mas não vale a pena comentar aqui. Primeiro, por que iria matar qualquer um de tédio (ou de risada!); segundo, porque melhor deixar essa história louca pra trás. Meh. O que importa é que a gente juntou os 59 kg de mijados, tomamos num avião com um par de remedinhos legais pra dormir, e chegamos no domingo, 26 de setembro, às 4 da tarde no Aeroporto Las Américas de Santo Domingo para um ano de muito trabalho. Sim, galera >> trabalho!

A Rep. Dominicana é meu país número 7. Não que eu esteja tentando competir com o Gulliver e suas viagens, nem tentando ser uma Adventure Diva (paixão por adrenalina = 0; grau de chiquesa e classe = 0), mas quem me conhece um pouquinho mais já percebeu que as coisas acontecem meio sem lógica comigo, e que acabo por me mudar daqui pra lá como quem troca de roupa. Sabe que eu detesto quando me perguntam “onde tu tá agora?”, “por onde tu anda?”, mas pensando bem, como posso ficar braba por me perguntarem isso, se nem eu mesma me acho por onde estou às vezes? (pequena pausa pra cantar A sombra da maldade, do Cidade Negra, tá tocando no PC. Amo essa musica. OK, continuamos.)

A questão principal que influenciou na decisão de vir pra SD é que vou ter uma posição de responsabilidade como diretora de internacionalização em uma universidade privada local, e isso vai ser um desafio e um aprendizado enorme, eu espero, como pessoa e profissional. Acho também que a experiência de trabalhar em uma universidade na América Latina /Caribe vai ser muito interessante. O principal desafio? Morar em SD: trânsito louco, superpopulação, falta de segurança... nada que não temos no Brasil, eu sei, mas falta reaprender algumas coisas agora.

Então, aqui estamos: um pit-stop de 12 meses antes de voltar pro Brasil. Acho que chega de ser estrangeira, né?

7.8.10

A grama do vizinho nem sempre é mais verde.

Às vezes me passo um pouco da linha, me permito ir clicando, clicando, e acabo em outros blogs de gente que não conheço. Geralmente não faço isso. Uso a internet pra ver um par de coisas, que são mais ou menos fixas, e em sua ordem.: e-mails, orkut, facebook (só as minhas contas, a dos outros eu mal olho), jornais do Brasil, da Espanha, alguns jornais do mundo, Amazon.co.uk, e sites de spoilers das séries de TV que gosto (atualmente: Bones, Fringe, Glee, Big Bang Theory e Grey's). Não vou dizer em voz alta que assisto os capítulos por que pode me gerar problema. Ups. Ah claro, alguma e outra receita, dependendo do que tem na geladeira e no balcão, quando meus livrinhos lindos de culinária não dão pro gasto. Não fico bisbilhotando e testando os limites da internet, não tenho paciência.

Quase sempre é isso. Mesmo no Youtube, o que vejo é sobre as séries, ou algum clipe de música que me vem na cabeça e não quero comprar a música no iTunes. Ou receitas, outra vez. Mas não saio muito do meu mundinho virtual cotidiano. Sou uma constante. Por isso, quando vejo outros blogs, fico impressionada. Como as pessoas encontram templates tão bonitos? Como sabem tanto de literatura, música, filme, teatro, e filosofia? Como arrumam as seções tão bem nas laterais do blog, e inserem tantas applications legais, ou conhecem links super interessantes? E como escrevem coisas tão criativas, cool e trendy? Acima de tudo: daonde tiram tempo pra fazer tudo isso, pelamordedeus?

Me intriga e me fascina. O que me intriga é a capacidade das pessoas de assimilarem tão bem todas as ferramentes que os blogs te oferecem, e escreverem blogs lindos e super interessantes a ponto de terem centenas de seguidores! Bem, por outro lado me assusta a minha inabilidade de fazer o mesmo. Não de ter seguidores (hauhauahauha - sim, só o que faltava: resolver a essas alturas que necessito de fama e estrelato virtual!), mas de ter tools/programinhas que fizessem mais simples isso de colocar as histórias e fotos nos posts do blog, por exemplo. Mas o que fascina é a criatividade dessa gente, a articulação das palavras, o uso do português/inglês, poesia, figuras... tá louco. Blogs são muito legais, que bom que existem.

Minha filosofia pessoal é a do "less is more" - nada de blog super fancy que vai me trazer mais trabalho - isso somado com uma falta de tempo crônica de me dedicar a qualquer outra coisa (3 aulas teóricas em 8 meses pra tirar a carteira de motorista pode ser um bom exemplo). Acho que não vai rolar um Oscar de melhor blog de relatos e fotinhos que me garantiria uma estrela dourada na calçada da fama (damn!). Que bom que os demais blogueiros estão felizes em repartir com o mundo a sua criatividade a full power. Muito obrigada.

Melhor coisa a fazer, Aliandra: assistir Glee e deixar de bisbilhotar nas coisas dos outros!

6.8.10

Férias!!!

Hora de organizar tudo o que tenho que fazer, e que deixei pras férias. Ou não.
Acho que minha missão nas férias será bate o recorde de ver TV sem levantar do sofá por 7 dias.
Semana que vem, outra vez ao Caribe a trabalho... Santo Domingo que me espere!

3.8.10

Paixão em dose dupla: Leire e Pau!!

Não tenho palavras pra dizer o quanto eu adoro esses dois pequeninhos!!

Leire e Pau são gêmeos, e têm 3 aninhos e meio. Os bebecitos são filhos da Gurutze e do David, um casal de amigos espanhóis aqui de Alicante. A Gurutze trabalha comigo na universidade, e é uma das minhas melhores amigas aqui. David, seu marido, é professor no Departamento de Economia.

Leire ganhou o nome de uma santa do País Basco/Euskadi, e Pau, por outro lado, é um nome muito comum na Catalunha, e significa 'paz' em catalão. A diversidade dos nomes tem a ver com o fato de que Guru tem raízes bascas na família dela, e David é catalão de Barcelona.

Para mim, a Leirita é um anjinho, tão delicada, ama seus vestidinhos, e é muito observadora. Como ela mesmo se define: é uma princesinha! Claro que sabe gritar e bater o pé quando quer, mas sua delicadeza é de hipnotizar.

O Pau me parece ser agora o que faz mais barulho, adora um colo, e gosta de dançar e pintar. Levei pra ele de presente um DVD de histórias e lendas brasileiras, e ele adorou a do Boitatá. Que fofo! Os dois são bons de garfo, o que cair no prato, morre. Dois saquinhos sem fundo! Além disso, são tão espertos que, se alguém nota que são gêmeos, os dois começam a se abraçar e se beijar pra ganhar mais elogios! Que danados!

A Guru e o David procuram ensinar os dois a dividirem as coisas, negociarem entre eles as suas disputas, e resolverem as brigas. Geralmente rola uma intervenção, mas eles estão cada vez melhores. Outra coisa muito legal que admiro muito na Guru e no David, é que eles tratam os dois filhos de maneira muito igual, sem impor estereótipos ou papéis. L&P ganham as mesmas coisas, seja um carrinho, ou uma boneca, e eles mesmos escolhem com o que brincar depois.

Pra finalizar, ouvir a Leire dizendo com sua vozinha baixinha: "Tia Ali es una princesa" derrete meu coração. Claro que preciso fazer um esforço enorme (leia-se: presente ou doces) pra ser digna de tal consideração, por que chamar alguém de princesa é um dos melhores elogios que a baixinha pode dar. Mas a recompensa vale a pena. :) E o Pau, coisa mais linda, super carinhoso, melhor ainda se tiver sentado no meu colo e diante do meu prato!

Só de pensar neles, meu dia já melhora em 200%. Queridos da tia!!

(Fotos: Apresentação de dança pra encerrar o ano na escolinha. Acima, toda a familia reunida. Abaixo, mais fotos do dia na escolinha, e a tia Ali (bagaceira) ensinando eles a mostrar a língua - ainda bem que a Guru não viu! :P).