7.8.10

A grama do vizinho nem sempre é mais verde.

Às vezes me passo um pouco da linha, me permito ir clicando, clicando, e acabo em outros blogs de gente que não conheço. Geralmente não faço isso. Uso a internet pra ver um par de coisas, que são mais ou menos fixas, e em sua ordem.: e-mails, orkut, facebook (só as minhas contas, a dos outros eu mal olho), jornais do Brasil, da Espanha, alguns jornais do mundo, Amazon.co.uk, e sites de spoilers das séries de TV que gosto (atualmente: Bones, Fringe, Glee, Big Bang Theory e Grey's). Não vou dizer em voz alta que assisto os capítulos por que pode me gerar problema. Ups. Ah claro, alguma e outra receita, dependendo do que tem na geladeira e no balcão, quando meus livrinhos lindos de culinária não dão pro gasto. Não fico bisbilhotando e testando os limites da internet, não tenho paciência.

Quase sempre é isso. Mesmo no Youtube, o que vejo é sobre as séries, ou algum clipe de música que me vem na cabeça e não quero comprar a música no iTunes. Ou receitas, outra vez. Mas não saio muito do meu mundinho virtual cotidiano. Sou uma constante. Por isso, quando vejo outros blogs, fico impressionada. Como as pessoas encontram templates tão bonitos? Como sabem tanto de literatura, música, filme, teatro, e filosofia? Como arrumam as seções tão bem nas laterais do blog, e inserem tantas applications legais, ou conhecem links super interessantes? E como escrevem coisas tão criativas, cool e trendy? Acima de tudo: daonde tiram tempo pra fazer tudo isso, pelamordedeus?

Me intriga e me fascina. O que me intriga é a capacidade das pessoas de assimilarem tão bem todas as ferramentes que os blogs te oferecem, e escreverem blogs lindos e super interessantes a ponto de terem centenas de seguidores! Bem, por outro lado me assusta a minha inabilidade de fazer o mesmo. Não de ter seguidores (hauhauahauha - sim, só o que faltava: resolver a essas alturas que necessito de fama e estrelato virtual!), mas de ter tools/programinhas que fizessem mais simples isso de colocar as histórias e fotos nos posts do blog, por exemplo. Mas o que fascina é a criatividade dessa gente, a articulação das palavras, o uso do português/inglês, poesia, figuras... tá louco. Blogs são muito legais, que bom que existem.

Minha filosofia pessoal é a do "less is more" - nada de blog super fancy que vai me trazer mais trabalho - isso somado com uma falta de tempo crônica de me dedicar a qualquer outra coisa (3 aulas teóricas em 8 meses pra tirar a carteira de motorista pode ser um bom exemplo). Acho que não vai rolar um Oscar de melhor blog de relatos e fotinhos que me garantiria uma estrela dourada na calçada da fama (damn!). Que bom que os demais blogueiros estão felizes em repartir com o mundo a sua criatividade a full power. Muito obrigada.

Melhor coisa a fazer, Aliandra: assistir Glee e deixar de bisbilhotar nas coisas dos outros!

6.8.10

Férias!!!

Hora de organizar tudo o que tenho que fazer, e que deixei pras férias. Ou não.
Acho que minha missão nas férias será bate o recorde de ver TV sem levantar do sofá por 7 dias.
Semana que vem, outra vez ao Caribe a trabalho... Santo Domingo que me espere!

3.8.10

Paixão em dose dupla: Leire e Pau!!

Não tenho palavras pra dizer o quanto eu adoro esses dois pequeninhos!!

Leire e Pau são gêmeos, e têm 3 aninhos e meio. Os bebecitos são filhos da Gurutze e do David, um casal de amigos espanhóis aqui de Alicante. A Gurutze trabalha comigo na universidade, e é uma das minhas melhores amigas aqui. David, seu marido, é professor no Departamento de Economia.

Leire ganhou o nome de uma santa do País Basco/Euskadi, e Pau, por outro lado, é um nome muito comum na Catalunha, e significa 'paz' em catalão. A diversidade dos nomes tem a ver com o fato de que Guru tem raízes bascas na família dela, e David é catalão de Barcelona.

Para mim, a Leirita é um anjinho, tão delicada, ama seus vestidinhos, e é muito observadora. Como ela mesmo se define: é uma princesinha! Claro que sabe gritar e bater o pé quando quer, mas sua delicadeza é de hipnotizar.

O Pau me parece ser agora o que faz mais barulho, adora um colo, e gosta de dançar e pintar. Levei pra ele de presente um DVD de histórias e lendas brasileiras, e ele adorou a do Boitatá. Que fofo! Os dois são bons de garfo, o que cair no prato, morre. Dois saquinhos sem fundo! Além disso, são tão espertos que, se alguém nota que são gêmeos, os dois começam a se abraçar e se beijar pra ganhar mais elogios! Que danados!

A Guru e o David procuram ensinar os dois a dividirem as coisas, negociarem entre eles as suas disputas, e resolverem as brigas. Geralmente rola uma intervenção, mas eles estão cada vez melhores. Outra coisa muito legal que admiro muito na Guru e no David, é que eles tratam os dois filhos de maneira muito igual, sem impor estereótipos ou papéis. L&P ganham as mesmas coisas, seja um carrinho, ou uma boneca, e eles mesmos escolhem com o que brincar depois.

Pra finalizar, ouvir a Leire dizendo com sua vozinha baixinha: "Tia Ali es una princesa" derrete meu coração. Claro que preciso fazer um esforço enorme (leia-se: presente ou doces) pra ser digna de tal consideração, por que chamar alguém de princesa é um dos melhores elogios que a baixinha pode dar. Mas a recompensa vale a pena. :) E o Pau, coisa mais linda, super carinhoso, melhor ainda se tiver sentado no meu colo e diante do meu prato!

Só de pensar neles, meu dia já melhora em 200%. Queridos da tia!!

(Fotos: Apresentação de dança pra encerrar o ano na escolinha. Acima, toda a familia reunida. Abaixo, mais fotos do dia na escolinha, e a tia Ali (bagaceira) ensinando eles a mostrar a língua - ainda bem que a Guru não viu! :P).













1.8.10

O Reino das pupusas: El Salvador!!!

Quem diria que eu iria encontrar um dos amores da minha vida nesse país tão chiquitito?? A pupusa é uma comida típica de El Salvador, feita com farinha branca de milho, tem a forma de um hambúrguer e se come no café da manhã, ou como lanche. É algo tão simples, tão rápido, tão humilde, tão rápido de fazer... e que delícia!

El Salvador foi uma surpresa ótima. Jamais pensei que algum dia chegaria a visitá-lo (até coloquei meus pés no Oceano Pacífico pela primeira vez!), e me alegra muito ter ido a San Salvador. O país foi marcado por 12 anos de guerra civil que terminou em 1992, e deixou muitas marcas nos salvadoreños. Uma amiga que trabalha na Universidade de El Salvador e que era militante da guerrilha, durante esses 12 anos tinha que mudar de casa a cada 3 meses com seus 3 filhos quando percebeu que seus amigos (professores e funcionários da universidade) "desapareciam" um por um. Ela tampouco viu seu pai por 12 anos, já que ele foi com a arma e um saco de roupas lutar nas montanhas, e só voltou depois que tudo terminou. Inclusive o motorista do ônibus da UES que nos acompanhou me mostrou com muito orgulho a marca (horrível!) de um tiro que tomou na canela direita quando fugia do exército. Tudo tão recente, e tão surpreendente.

Numa manhã, me levaram a conhecer um hospital muito especial para o povo de El Salvador: o hospital da Divina Providência. Eu não entendia porque as minhas companheiras de passeio (uma dominicana, duas hondurenhas, uma panamenha) estavam tão emocionadas para ir ali. Isso por que sou uma analfabeta em história da América Latina, uma verdade que assumo com muita vergonha. Esse hospital está diretamente ligado à figura de um senhor chamado Óscar Romero, um grande mártir para os salvadorenhos. Mais do que pregar um discurso religioso - ou fazer seu trabalho -, Romero enfrentava o governo autoritário do país, criticava os EUA, era criticado pelo Vaticano, por que passava ao povo mensagens de direitos humanos, criticava a opressão e exploração dos pobres, o fato dos EUA financiarem o governo com armamento, as torturas e assassinatos. O destino dele não é difícil de se imaginar: foi assassinado na capela do próprio hospital enquanto rezava uma missa lotada no dia 24/03/1980. Um único tiro no coração feito por um franco-atirador do governo foi o suficiente. Seu assassinato despertou a fúria do povo e foi a faísca que faltava pra estourar a guerra civil que comentei antes, que durou de 1980 a 1992. Na casa de 3 peças onde morava ao lado do hospital, está exposta a roupa manchada de sangue do dia do assassinato, junto com suas coisas, que não foram tocadas pelas freiras. Até no super tumultuado velório e enterro dele (250.000 presentes!), o governo aproveitou e matou mais umas 50 pessoas com bomba e tiros que vinham dos prédios ao redor da Catedral de San Salvador.

Um país pequeninho mas com muito que contar! Quero muito poder voltar. Algumas fotos: o vulcão de Izalco de longe, a paisagem verde e montanhosa do país, a igreja onde Romero foi assassinado, o centro de San Salvador, a Catedral, o Palácio do Presidente, e no fim, o centro da cidade de Apaneca, e seu pequeno hospital da Cruz Vermelha.