25.12.11

O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Mario Quintana

20.9.11

Já faz um ano, Big Ben.


Há um ano atrás fui à Inglaterra visitar alguns amigos que são parte da minha vida. Eles me acolheram e ensinaram muito, e continuamos nos acompanhando apesar da distância e das (minhas) mudanças. Acima de tudo, eles fazem parte de diferentes "vidas paralelas" que a gente vai colecionando pelo caminho.

>> Mas, e por quê vidas paralelas? Bem, quem já mudou de cidade, estado, país ou continente (como eu!) sabe que a gente faz coisas diferentes em cada lugar, e conhece pessoas diferentes. Não é possível deixar de ser a gente mesmo, ou não deveria ser possível, mas a gente se adapta de acordo com as condições que esses novos lugares nos oferecem. Um exemplo disso pode ser o padrão da alimentação: pode-se comer da sua própria horta (Floripa), comer ovo, champinhon e salsicha de café da manhã (e adorar!) (Inglaterra), pedir comida pelo telefone pra não sair na rua (Santo Domingo), ser vegetariana (Oslo e Tampere), comer kebab semanalmente (Alicante), ou ir a restaurantes muito bons 2x na semana (Aveiro), ou ainda, morar em um lugar onde não há restaurante pra ir (Cruz Alta City). A cada "vida", fazemos o melhor para nos adaptar, e acabamos por ter pessoas muito especiais que ajudam a caracterizar esse período e lugar. E com sorte talvez nos reencontramos a cada 5 ou 3 anos, ou talvez nunca mais - tanto o lugar como as pessoas.

Retomando sobre o encontro de um ano atrás. Faltava alguns dias para deixar a Espanha, por isso fui me despedir de algumas coisas e pessoas que estavam na Inglaterra. Na verdade, ainda estão lá. No outro fim de semana partiria para Santo Domingo. Então, decidi fazer algo especial, porque de alguma forma sentia que poderia demorar pra voltar à Europa. Fui ao West End, a "Broadway" de Londres, pra assistir a uma peça de teatro. Foi legal, mas estou convencida de que talvez me divertiria mais em uma partida de futebol. Mas tudo bem. Foi pra lista: "Teatro caro com atores reconhecidos mundialmente: check". Com sorte o tempo tava bom, e pude aproveitar pra caminhar um pouquinho por Covent Garden, olhar as lojinhas. E claro, fui me despedir do Big Ben, ver se ele tinha algo novo pra contar que não fossem os minutos.

De Londres, saí cedinho no outro dia pra tomar cafe da manhã com uma amiga boliviana (y tan bella!) no mercado público de Oxford. Eu a admiro muito e sempre que nos visitamos falamos sem parar! Era o nosso encontro anual. Ou melhor, bi-anual, porque infelizmente esse ano não sei se vamos nos ver. Foram 2h30min para comer, colocar toda a fofoca em dia, e rir muito!

Mais tarde subi um pouquinho mais pro norte, em Yorkshire, para visitar alguns amigos-meio-família. Ah e a comilança!! A mestre-cuca preparou com muito carinho 2 sunday dinners in-crí-veis naquele fim de semana (yes, Mrs. Bathie your sunday dinners are the best ever!). Se fazer um dá uma trabalheira, imagina 2? Só faltou ir a Sheffield, mas não deu tempo. Uma pena!

A simplicidade de tudo, a familiaridade de estar na Inglaterra, mais a companhia de gente tão querida fez da última visita à terra da rainha algo espetacular. Daqueles momentos que te permitem entender porque o mundo (ainda) faz sentido.

Mas... e porque diabos paro agora pra pensar nisso? Parece que foi ontem. Mas o tempo passa, e esse ano foi meio (muito) doido. E, mais importantemente, paro e penso pelo simples motivo de estar procrastinando. Tenho que estudar. Há 6 livros e três "meios" me esperando para que eu os leia para a seleção do doutorado. *suspiro*

9.7.11

Cuidado.

Estou aprendendo a dirigir. Meu carro pode chegar até você.
Pare. Olhe. Escute.

Logo vou fazer 18 anos. Meh.

Atualização: setembro de 2011.... 1a tentativa da prova prática: FAIL! :P aparentemente estacionei muito longe. ops!

27.5.11

Primeira ligação ao chegar no RS. Ops.

8:35 da manhã, no carro na estrada de Porto Alegre pra Cruz Alta.
Ligo pro meu irmão pra incomodar (por que é pra isso que servem os irmãos mais novos!), do telefone da minha mãe, que tem o número gravado.
Assim que atende, uma saudação à la Xuxa, pra animar a manhã fria:
- "Bom dia amiguinhos já estou aqui". E daí, negão, já cheguei! Tá com saudade de mim?
- Erm... Com quem quer falar?
- Com o Fabinho, meu irmão (pensando: mas que piá podre, se fazendo!)
- Erm... quem? Aqui é de Porto Alegre.
(Silêncio... e sobe aquele frio na espinha. 2 segundos depois, me dou por conta e caio na gargalhada. O cara, do outro lado da linha, a essa hora já deve estar se perguntando como é que se cria essa gente idiota no mundo).
- Aaaaaiii meu Deus, eu não disquei o código! Me desculpa! Eu queria ligar pra Cruz Alta, e faltou o 055. Me perdoa. Foi mal. (Claro, liguei pro telefone do Fabinho, e caiu em POA, com o mesmo número mas com o 051 :D).

Desligo. No carro, meus pais choram de rir do fiasco. Tento enterrar minha cabeça no travesseiro e na montanha das malas de vergonha. Ligo pro meu irmão pra contar (dessa vez com o código certo, e ele atende. Ufa). O único comentário que ele faz: "bah, tá no sangue."

Mais tarde, em casa, na hora do almoço. Outra vez falamos da ligação e do fiasco. A mãe está chorando de rir. Daí ela faz uma cara de vergonha, e resolve confessar, limpando as lágrimas:
- Ali, quer ouvir uma coisa?
- O que houve, mãe?
- Eu já tinha ligado pra ele antes.
- * eu e o meu irmão, com caras de descrédito* - Como? Dai sim!
- Sim, eu liguei mais cedo, pra ver se o Fabio já tinha se levantado.
- E o que tu disse? (nessa hora já me doía a cara de tanto rir, e rolavam as lágrimas)
- "5 pras 8, cara, vamos levantar?". Quando ele falou "com quem tu quer falar?", daí eu desliguei rápido, assustada.

Bem, não preciso nem dizer que a essa hora já se ouvia as nossas risadas escandalosas do outro lado da rua, na outra esquina.

Meu irmão, indignado: "Como é que vocês duas conseguem fazer essas coisas? Eu devo ser adotado, pelamordedeus".

Ao dono do telefone, foi mal!!

25.5.11

De volta ao pago!

De volta ao Brasil hoje. Destino: Cruz Alta City.
Essas mudanças estão ficando cada vez mais difíceis, acho que tá na hora de se acomodar!

19.2.11

E a história se repete...

14/02/2011.
8:00: Parque olímpico, Ave. 27 de Febrero, Santo Domingo: torci o pé direito caminhando enquanto ia para o trabalho. Um ou dois palavrões. Segui adiante.
11:20: Universidade: sinto um pouco de dor, mas sigo adiante.
12:25: Restaurante. Não aguento mais a dor.
13:00: Hospital UCE - Sala de emergência. Em companhia de uma amiga querida, encarregada das risadas, e do registro fotografico.
14:00 - Injeção na bunda contra a dor. Nem eu esperava por essa.
14:15: Colocar gesso (de barriga bra baixo, uma inovação). Não tem fratura, por sorte!
14:45: Ver fotos. (Dramática a cadeira de rodas, né?)

15/02/2011.
Casa. Dor em todo o corpo pelo peso do gesso. E, segundo dizem as más línguas, pelo fato de que não parei quieta. Em minha defesa, eu voto contra. Democraticamente.
Ah! É o dia do meu aniversário também. Detalhe.

16/02/2011.
8:00: Clínica ortopédica errada.
8:40: Clínica ortopédica certa (acontece com as melhores famílias).
9:45: Chega a secretaria do doutor.
10:30: Consulta (com um doutor que estudou Medicina na Escola de Medicina de São Paulo).
11:00. Sem gesso, sob solicitação (e súplica) real. (*wooohooooo*!)

Bem, "O resto é silêncio". E licença médica. E cama. E gelo. E remédio. E fisio. E assistir Glee. E Sheldon. E Fringe. E Vampire Diaries. E fazer os temas da especialização. E outra cama na sala. E tédio. E a promessa de nunca mais morar no 4o andar. E preguiça. E uma (ok, duas) escapadas na rua (pra manter a sanidade mental).

Como diz o título do post, a história se repete, mas com menos impacto. E que pena que não tinha Estocolmo...

12.2.11

Poeta favorita: Elizabeth Browning

Faz alguns anos, enquanto ainda estava estudando na UFSM, às vezes ia Porto Alegre pra visitar um casal de amigos queridos (Nica e Marcelo, que agora já se multiplicaram em João e Antônio). Numa dessas visitas, descobri minha poeta favorita.

Como tudo aconteceu é um pouco complicado explicar:

1. A Nica e o Marcelo gostam de cachorros Cocker Spaniel, e têm dois cachorrinhos lindos e fofos: o Osama e a Belinha.

2. Eu adoro os livros da Virginia Woolf. Um dos livros dela se chama "Flush", que é o nome de um cachorro da raça Cocker Spaniel. Flush, o cachorro, narra a história do livro, que relata o romance dos seus donos, nada mais nada menos que os poetas ingleses Elizabeth Barrett e Robert Browning.

3. Encontrei o livro "Flush" na biblioteca da Nica, e comecei a ler... e acabei por terminar em dois dias. Amei a história. E fiquei com curiosidade de saber mais da vida dos dois poetas, e passei a buscar mais sobre suas obras quando voltei pra Santa Maria, depois da visita.

Resultado: Descobri minha poeta favorita, Elizabeth Barrett Browning, por culpa do Osaminha (!).

Elizabeth mantinha segredo sobre a relação entre ela e Browning. Ele era muito famoso, e ela tinha vergonha do que as pessoas iam dizer, já que ela era mais velha que ele 6 anos, e tinha muitos problemas de saúde (estava numa cadeira de rodas). Para disfarçar o relacionamento deles perante a sociedade inglesa, ela publicou muitos dos seus sonetos como se fossem traduzidos de outros idiomas, como o português. Browning gostava muito de Camões, e inclusive o apelido dele entre os dois era "o português". Por isso ele sugeriu que ela publicasse a coleção de sonetos como "Sonnets from the Portuguese".

Um deles, o Soneto 43, é o meu favorito:

"How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of being and ideal grace.

I love thee to the level of every day's
Most quiet need, by sun and candle-light.
I love thee freely, as men strive for right.
I love thee purely, as they turn from praise.

I love thee with the passion put to use
In my old griefs, and with my childhood's faith.
I love thee with a love I seemed to lose

With my lost saints. I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life; and, if God choose,
I shall but love thee better after death."

Tradução de Manuel Bandeira:

"Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh'alma alcança quando, transportada
Sente, alongando os olhos deste mundo
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
A luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte."

Acho que posso dizer que este Soneto 43, mais o Soneto da Fidelidade, de Vinicius de Moraes, e a Canção da Primavera, de Mario Quintana, são os meus três poemas favoritos!

Vale a pena dividir!

6.2.11

Poema: Adeus, de Eugénio de Andrade

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

(Um pouquinho de literatura portuguesa. Obrigada Sarinha!)

5.2.11

Presente de aniversario antecipado!

Sim senhores, é verdade: em um par de dias faremos 17 anos outra vez. Para o desespero da minha mãe e a descrença de um número considerável de pessoas (inclusive o Sr. Reitor, imaginem...), eu ainda não sei dirigir. Então fico nos 17.

Meus motivos não mudaram muito dos que comentei ano passado , só que agora se soma a eles o fato de que não sobra dim dim pra tirar a carteira.

Então, como não posso me dar um carro de presente, comprei algo muito mais legal: uma batedeira/liquidificador portátil, dessas fininhas, que podem fazer suco direto no copo, ou bater sopa com vegetais direto na panela (!). Sem contar que veio com picador de tempero e faca automática. Nem sei o que fazer com uma faca automática, mas isso eu descubro depois. Ah ainda é super portátil, eu posso levá-la na mala quando me mude de SD. Quando que se pode fazer isso com um carro? :D

Não falei que era MUITO mais legal?



4.2.11

Pequenos detalhes do lar!


"Where thou art, that is home" - Emily Dickinson












3.2.11

Dar aulas na universidade é legal. Red bull com suco de laranja é muito legal.

Fatos verídicos, acontecidos em Santo Domingo: aqui as pessoas trabalham muito. Muito mesmo. Segundo as leis trabalhistas dominicanas, 14 dias ao ano de férias são mais que suficiente para se descansar ( - P.S.: se tu passas 15 dias durante o ano novo no Brasil, não terá mais dias de férias até o final do ano - *gritos*). Outro fato, especial aos que vivem na capital: a grande maioria dos residentes de SD (de qualquer lado do rio por onde entrou Colombo há vários séculos atrás) se mandam na sexta pra fora da capital e só regressam domingo pela noite. A cidade é deserta, e até assustadora, com relação ao trânsito maluco, e a barulheira das ruas nos dias de semana.

Outro fato verídico (que não tem conexão com o anterior, me perdoem!): estou dando aulas na universidade. Mas o convite para dar aulas veio com um preço: fazer uma especialização em Docência Universitária. Nada de mal nisso, na verdade é uma oportunidade única, o que faz um pouquinho difícil é que o horário das aulas é tarde, das 6 as 10 da noite, 2x na semana. Mas não dá nada. A gente aguenta. Acorda um pouco mais cedo pra preparar aula, e fazer os temas da especialização, trabalha durante o dia, vai pra aula, volta pra casa, cozinha, enche a pança, lava o corpo e a roupa, e assiste The Vampire Diaries antes de desmaiar na cama. Aparte dessa rotina maluca, ter aula é legal, e fazia falta. Desperta o nerd que está dentro de você, aquele que fica gritando pra sair. J Mais legal ainda é descobrir que red bull e suco de laranja deixa você feliz. É muito legal. Mesmo. Tira o cansaço, cura sinusite, e até ajuda na criatividade de escrever no blog. Bah quisera ter descoberto essa combinação antes.

Amanhã, tudo outra vez. Ah! Vale a pela comentar: dar aula em portunhol é legal. Ainda mais quando eu não me escuto!

16.1.11

Jogado às traças!

Coitado desse blog, tá abandonado mesmo.
O que ando fazendo? Trabalhando. Várias horas, todos os dias. Nem à praia ainda não fui aqui na República Dominicana.
Isso tem que mudar, minha gente!!