19.2.11

E a história se repete...

14/02/2011.
8:00: Parque olímpico, Ave. 27 de Febrero, Santo Domingo: torci o pé direito caminhando enquanto ia para o trabalho. Um ou dois palavrões. Segui adiante.
11:20: Universidade: sinto um pouco de dor, mas sigo adiante.
12:25: Restaurante. Não aguento mais a dor.
13:00: Hospital UCE - Sala de emergência. Em companhia de uma amiga querida, encarregada das risadas, e do registro fotografico.
14:00 - Injeção na bunda contra a dor. Nem eu esperava por essa.
14:15: Colocar gesso (de barriga bra baixo, uma inovação). Não tem fratura, por sorte!
14:45: Ver fotos. (Dramática a cadeira de rodas, né?)

15/02/2011.
Casa. Dor em todo o corpo pelo peso do gesso. E, segundo dizem as más línguas, pelo fato de que não parei quieta. Em minha defesa, eu voto contra. Democraticamente.
Ah! É o dia do meu aniversário também. Detalhe.

16/02/2011.
8:00: Clínica ortopédica errada.
8:40: Clínica ortopédica certa (acontece com as melhores famílias).
9:45: Chega a secretaria do doutor.
10:30: Consulta (com um doutor que estudou Medicina na Escola de Medicina de São Paulo).
11:00. Sem gesso, sob solicitação (e súplica) real. (*wooohooooo*!)

Bem, "O resto é silêncio". E licença médica. E cama. E gelo. E remédio. E fisio. E assistir Glee. E Sheldon. E Fringe. E Vampire Diaries. E fazer os temas da especialização. E outra cama na sala. E tédio. E a promessa de nunca mais morar no 4o andar. E preguiça. E uma (ok, duas) escapadas na rua (pra manter a sanidade mental).

Como diz o título do post, a história se repete, mas com menos impacto. E que pena que não tinha Estocolmo...

12.2.11

Poeta favorita: Elizabeth Browning

Faz alguns anos, enquanto ainda estava estudando na UFSM, às vezes ia Porto Alegre pra visitar um casal de amigos queridos (Nica e Marcelo, que agora já se multiplicaram em João e Antônio). Numa dessas visitas, descobri minha poeta favorita.

Como tudo aconteceu é um pouco complicado explicar:

1. A Nica e o Marcelo gostam de cachorros Cocker Spaniel, e têm dois cachorrinhos lindos e fofos: o Osama e a Belinha.

2. Eu adoro os livros da Virginia Woolf. Um dos livros dela se chama "Flush", que é o nome de um cachorro da raça Cocker Spaniel. Flush, o cachorro, narra a história do livro, que relata o romance dos seus donos, nada mais nada menos que os poetas ingleses Elizabeth Barrett e Robert Browning.

3. Encontrei o livro "Flush" na biblioteca da Nica, e comecei a ler... e acabei por terminar em dois dias. Amei a história. E fiquei com curiosidade de saber mais da vida dos dois poetas, e passei a buscar mais sobre suas obras quando voltei pra Santa Maria, depois da visita.

Resultado: Descobri minha poeta favorita, Elizabeth Barrett Browning, por culpa do Osaminha (!).

Elizabeth mantinha segredo sobre a relação entre ela e Browning. Ele era muito famoso, e ela tinha vergonha do que as pessoas iam dizer, já que ela era mais velha que ele 6 anos, e tinha muitos problemas de saúde (estava numa cadeira de rodas). Para disfarçar o relacionamento deles perante a sociedade inglesa, ela publicou muitos dos seus sonetos como se fossem traduzidos de outros idiomas, como o português. Browning gostava muito de Camões, e inclusive o apelido dele entre os dois era "o português". Por isso ele sugeriu que ela publicasse a coleção de sonetos como "Sonnets from the Portuguese".

Um deles, o Soneto 43, é o meu favorito:

"How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of being and ideal grace.

I love thee to the level of every day's
Most quiet need, by sun and candle-light.
I love thee freely, as men strive for right.
I love thee purely, as they turn from praise.

I love thee with the passion put to use
In my old griefs, and with my childhood's faith.
I love thee with a love I seemed to lose

With my lost saints. I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life; and, if God choose,
I shall but love thee better after death."

Tradução de Manuel Bandeira:

"Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh'alma alcança quando, transportada
Sente, alongando os olhos deste mundo
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
A luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte."

Acho que posso dizer que este Soneto 43, mais o Soneto da Fidelidade, de Vinicius de Moraes, e a Canção da Primavera, de Mario Quintana, são os meus três poemas favoritos!

Vale a pena dividir!

6.2.11

Poema: Adeus, de Eugénio de Andrade

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

(Um pouquinho de literatura portuguesa. Obrigada Sarinha!)

5.2.11

Presente de aniversario antecipado!

Sim senhores, é verdade: em um par de dias faremos 17 anos outra vez. Para o desespero da minha mãe e a descrença de um número considerável de pessoas (inclusive o Sr. Reitor, imaginem...), eu ainda não sei dirigir. Então fico nos 17.

Meus motivos não mudaram muito dos que comentei ano passado , só que agora se soma a eles o fato de que não sobra dim dim pra tirar a carteira.

Então, como não posso me dar um carro de presente, comprei algo muito mais legal: uma batedeira/liquidificador portátil, dessas fininhas, que podem fazer suco direto no copo, ou bater sopa com vegetais direto na panela (!). Sem contar que veio com picador de tempero e faca automática. Nem sei o que fazer com uma faca automática, mas isso eu descubro depois. Ah ainda é super portátil, eu posso levá-la na mala quando me mude de SD. Quando que se pode fazer isso com um carro? :D

Não falei que era MUITO mais legal?



4.2.11

Pequenos detalhes do lar!


"Where thou art, that is home" - Emily Dickinson












3.2.11

Dar aulas na universidade é legal. Red bull com suco de laranja é muito legal.

Fatos verídicos, acontecidos em Santo Domingo: aqui as pessoas trabalham muito. Muito mesmo. Segundo as leis trabalhistas dominicanas, 14 dias ao ano de férias são mais que suficiente para se descansar ( - P.S.: se tu passas 15 dias durante o ano novo no Brasil, não terá mais dias de férias até o final do ano - *gritos*). Outro fato, especial aos que vivem na capital: a grande maioria dos residentes de SD (de qualquer lado do rio por onde entrou Colombo há vários séculos atrás) se mandam na sexta pra fora da capital e só regressam domingo pela noite. A cidade é deserta, e até assustadora, com relação ao trânsito maluco, e a barulheira das ruas nos dias de semana.

Outro fato verídico (que não tem conexão com o anterior, me perdoem!): estou dando aulas na universidade. Mas o convite para dar aulas veio com um preço: fazer uma especialização em Docência Universitária. Nada de mal nisso, na verdade é uma oportunidade única, o que faz um pouquinho difícil é que o horário das aulas é tarde, das 6 as 10 da noite, 2x na semana. Mas não dá nada. A gente aguenta. Acorda um pouco mais cedo pra preparar aula, e fazer os temas da especialização, trabalha durante o dia, vai pra aula, volta pra casa, cozinha, enche a pança, lava o corpo e a roupa, e assiste The Vampire Diaries antes de desmaiar na cama. Aparte dessa rotina maluca, ter aula é legal, e fazia falta. Desperta o nerd que está dentro de você, aquele que fica gritando pra sair. J Mais legal ainda é descobrir que red bull e suco de laranja deixa você feliz. É muito legal. Mesmo. Tira o cansaço, cura sinusite, e até ajuda na criatividade de escrever no blog. Bah quisera ter descoberto essa combinação antes.

Amanhã, tudo outra vez. Ah! Vale a pela comentar: dar aula em portunhol é legal. Ainda mais quando eu não me escuto!