12.2.11

Poeta favorita: Elizabeth Browning

Faz alguns anos, enquanto ainda estava estudando na UFSM, às vezes ia Porto Alegre pra visitar um casal de amigos queridos (Nica e Marcelo, que agora já se multiplicaram em João e Antônio). Numa dessas visitas, descobri minha poeta favorita.

Como tudo aconteceu é um pouco complicado explicar:

1. A Nica e o Marcelo gostam de cachorros Cocker Spaniel, e têm dois cachorrinhos lindos e fofos: o Osama e a Belinha.

2. Eu adoro os livros da Virginia Woolf. Um dos livros dela se chama "Flush", que é o nome de um cachorro da raça Cocker Spaniel. Flush, o cachorro, narra a história do livro, que relata o romance dos seus donos, nada mais nada menos que os poetas ingleses Elizabeth Barrett e Robert Browning.

3. Encontrei o livro "Flush" na biblioteca da Nica, e comecei a ler... e acabei por terminar em dois dias. Amei a história. E fiquei com curiosidade de saber mais da vida dos dois poetas, e passei a buscar mais sobre suas obras quando voltei pra Santa Maria, depois da visita.

Resultado: Descobri minha poeta favorita, Elizabeth Barrett Browning, por culpa do Osaminha (!).

Elizabeth mantinha segredo sobre a relação entre ela e Browning. Ele era muito famoso, e ela tinha vergonha do que as pessoas iam dizer, já que ela era mais velha que ele 6 anos, e tinha muitos problemas de saúde (estava numa cadeira de rodas). Para disfarçar o relacionamento deles perante a sociedade inglesa, ela publicou muitos dos seus sonetos como se fossem traduzidos de outros idiomas, como o português. Browning gostava muito de Camões, e inclusive o apelido dele entre os dois era "o português". Por isso ele sugeriu que ela publicasse a coleção de sonetos como "Sonnets from the Portuguese".

Um deles, o Soneto 43, é o meu favorito:

"How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of being and ideal grace.

I love thee to the level of every day's
Most quiet need, by sun and candle-light.
I love thee freely, as men strive for right.
I love thee purely, as they turn from praise.

I love thee with the passion put to use
In my old griefs, and with my childhood's faith.
I love thee with a love I seemed to lose

With my lost saints. I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life; and, if God choose,
I shall but love thee better after death."

Tradução de Manuel Bandeira:

"Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh'alma alcança quando, transportada
Sente, alongando os olhos deste mundo
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
A luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte."

Acho que posso dizer que este Soneto 43, mais o Soneto da Fidelidade, de Vinicius de Moraes, e a Canção da Primavera, de Mario Quintana, são os meus três poemas favoritos!

Vale a pena dividir!

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