20.9.11

Já faz um ano, Big Ben.


Há um ano atrás fui à Inglaterra visitar alguns amigos que são parte da minha vida. Eles me acolheram e ensinaram muito, e continuamos nos acompanhando apesar da distância e das (minhas) mudanças. Acima de tudo, eles fazem parte de diferentes "vidas paralelas" que a gente vai colecionando pelo caminho.

>> Mas, e por quê vidas paralelas? Bem, quem já mudou de cidade, estado, país ou continente (como eu!) sabe que a gente faz coisas diferentes em cada lugar, e conhece pessoas diferentes. Não é possível deixar de ser a gente mesmo, ou não deveria ser possível, mas a gente se adapta de acordo com as condições que esses novos lugares nos oferecem. Um exemplo disso pode ser o padrão da alimentação: pode-se comer da sua própria horta (Floripa), comer ovo, champinhon e salsicha de café da manhã (e adorar!) (Inglaterra), pedir comida pelo telefone pra não sair na rua (Santo Domingo), ser vegetariana (Oslo e Tampere), comer kebab semanalmente (Alicante), ou ir a restaurantes muito bons 2x na semana (Aveiro), ou ainda, morar em um lugar onde não há restaurante pra ir (Cruz Alta City). A cada "vida", fazemos o melhor para nos adaptar, e acabamos por ter pessoas muito especiais que ajudam a caracterizar esse período e lugar. E com sorte talvez nos reencontramos a cada 5 ou 3 anos, ou talvez nunca mais - tanto o lugar como as pessoas.

Retomando sobre o encontro de um ano atrás. Faltava alguns dias para deixar a Espanha, por isso fui me despedir de algumas coisas e pessoas que estavam na Inglaterra. Na verdade, ainda estão lá. No outro fim de semana partiria para Santo Domingo. Então, decidi fazer algo especial, porque de alguma forma sentia que poderia demorar pra voltar à Europa. Fui ao West End, a "Broadway" de Londres, pra assistir a uma peça de teatro. Foi legal, mas estou convencida de que talvez me divertiria mais em uma partida de futebol. Mas tudo bem. Foi pra lista: "Teatro caro com atores reconhecidos mundialmente: check". Com sorte o tempo tava bom, e pude aproveitar pra caminhar um pouquinho por Covent Garden, olhar as lojinhas. E claro, fui me despedir do Big Ben, ver se ele tinha algo novo pra contar que não fossem os minutos.

De Londres, saí cedinho no outro dia pra tomar cafe da manhã com uma amiga boliviana (y tan bella!) no mercado público de Oxford. Eu a admiro muito e sempre que nos visitamos falamos sem parar! Era o nosso encontro anual. Ou melhor, bi-anual, porque infelizmente esse ano não sei se vamos nos ver. Foram 2h30min para comer, colocar toda a fofoca em dia, e rir muito!

Mais tarde subi um pouquinho mais pro norte, em Yorkshire, para visitar alguns amigos-meio-família. Ah e a comilança!! A mestre-cuca preparou com muito carinho 2 sunday dinners in-crí-veis naquele fim de semana (yes, Mrs. Bathie your sunday dinners are the best ever!). Se fazer um dá uma trabalheira, imagina 2? Só faltou ir a Sheffield, mas não deu tempo. Uma pena!

A simplicidade de tudo, a familiaridade de estar na Inglaterra, mais a companhia de gente tão querida fez da última visita à terra da rainha algo espetacular. Daqueles momentos que te permitem entender porque o mundo (ainda) faz sentido.

Mas... e porque diabos paro agora pra pensar nisso? Parece que foi ontem. Mas o tempo passa, e esse ano foi meio (muito) doido. E, mais importantemente, paro e penso pelo simples motivo de estar procrastinando. Tenho que estudar. Há 6 livros e três "meios" me esperando para que eu os leia para a seleção do doutorado. *suspiro*

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