Quem diria que eu iria encontrar um dos amores da minha vida nesse país tão chiquitito?? A pupusa é uma comida típica de El Salvador, feita com farinha branca de milho, tem a forma de um hambúrguer e se come no café da manhã, ou como lanche. É algo tão simples, tão rápido, tão humilde, tão rápido de fazer... e que delícia!
El Salvador foi uma surpresa ótima. Jamais pensei que algum dia chegaria a visitá-lo (até coloquei meus pés no Oceano Pacífico pela primeira vez!), e me alegra muito ter ido a San Salvador. O país foi marcado por 12 anos de guerra civil que terminou em 1992, e deixou muitas marcas nos salvadoreños. Uma amiga que trabalha na Universidade de El Salvador e que era militante da guerrilha, durante esses 12 anos tinha que mudar de casa a cada 3 meses com seus 3 filhos quando percebeu que seus amigos (professores e funcionários da universidade) "desapareciam" um por um. Ela tampouco viu seu pai por 12 anos, já que ele foi com a arma e um saco de roupas lutar nas montanhas, e só voltou depois que tudo terminou. Inclusive o motorista do ônibus da UES que nos acompanhou me mostrou com muito orgulho a marca (horrível!) de um tiro que tomou na canela direita quando fugia do exército. Tudo tão recente, e tão surpreendente.
Numa manhã, me levaram a conhecer um hospital muito especial para o povo de El Salvador: o hospital da Divina Providência. Eu não entendia porque as minhas companheiras de passeio (uma dominicana, duas hondurenhas, uma panamenha) estavam tão emocionadas para ir ali. Isso por que sou uma analfabeta em história da América Latina, uma verdade que assumo com muita vergonha. Esse hospital está diretamente ligado à figura de um senhor chamado Óscar Romero, um grande mártir para os salvadorenhos. Mais do que pregar um discurso religioso - ou fazer seu trabalho -, Romero enfrentava o governo autoritário do país, criticava os EUA, era criticado pelo Vaticano, por que passava ao povo mensagens de direitos humanos, criticava a opressão e exploração dos pobres, o fato dos EUA financiarem o governo com armamento, as torturas e assassinatos. O destino dele não é difícil de se imaginar: foi assassinado na capela do próprio hospital enquanto rezava uma missa lotada no dia 24/03/1980. Um único tiro no coração feito por um franco-atirador do governo foi o suficiente. Seu assassinato despertou a fúria do povo e foi a faísca que faltava pra estourar a guerra civil que comentei antes, que durou de 1980 a 1992. Na casa de 3 peças onde morava ao lado do hospital, está exposta a roupa manchada de sangue do dia do assassinato, junto com suas coisas, que não foram tocadas pelas freiras. Até no super tumultuado velório e enterro dele (250.000 presentes!), o governo aproveitou e matou mais umas 50 pessoas com bomba e tiros que vinham dos prédios ao redor da Catedral de San Salvador.
Um país pequeninho mas com muito que contar! Quero muito poder voltar. Algumas fotos: o vulcão de Izalco de longe, a paisagem verde e montanhosa do país, a igreja onde Romero foi assassinado, o centro de San Salvador, a Catedral, o Palácio do Presidente, e no fim, o centro da cidade de Apaneca, e seu pequeno hospital da Cruz Vermelha.
Numa manhã, me levaram a conhecer um hospital muito especial para o povo de El Salvador: o hospital da Divina Providência. Eu não entendia porque as minhas companheiras de passeio (uma dominicana, duas hondurenhas, uma panamenha) estavam tão emocionadas para ir ali. Isso por que sou uma analfabeta em história da América Latina, uma verdade que assumo com muita vergonha. Esse hospital está diretamente ligado à figura de um senhor chamado Óscar Romero, um grande mártir para os salvadorenhos. Mais do que pregar um discurso religioso - ou fazer seu trabalho -, Romero enfrentava o governo autoritário do país, criticava os EUA, era criticado pelo Vaticano, por que passava ao povo mensagens de direitos humanos, criticava a opressão e exploração dos pobres, o fato dos EUA financiarem o governo com armamento, as torturas e assassinatos. O destino dele não é difícil de se imaginar: foi assassinado na capela do próprio hospital enquanto rezava uma missa lotada no dia 24/03/1980. Um único tiro no coração feito por um franco-atirador do governo foi o suficiente. Seu assassinato despertou a fúria do povo e foi a faísca que faltava pra estourar a guerra civil que comentei antes, que durou de 1980 a 1992. Na casa de 3 peças onde morava ao lado do hospital, está exposta a roupa manchada de sangue do dia do assassinato, junto com suas coisas, que não foram tocadas pelas freiras. Até no super tumultuado velório e enterro dele (250.000 presentes!), o governo aproveitou e matou mais umas 50 pessoas com bomba e tiros que vinham dos prédios ao redor da Catedral de San Salvador.
Um país pequeninho mas com muito que contar! Quero muito poder voltar. Algumas fotos: o vulcão de Izalco de longe, a paisagem verde e montanhosa do país, a igreja onde Romero foi assassinado, o centro de San Salvador, a Catedral, o Palácio do Presidente, e no fim, o centro da cidade de Apaneca, e seu pequeno hospital da Cruz Vermelha.
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